Seleções já eliminadas da Copa do Mundo 2026
- Haiti
- Turquia
- Tunísia
A Copa do Mundo tem essa crueldade bonita que nenhum outro torneio consegue reproduzir. Você treina quatro anos, classifica sua seleção em eliminatórias difíceis, embarca para um país distante com a esperança de uma nação inteira nas costas, e então, em questão de dias, tudo pode acabar. As seleções eliminadas da Copa do Mundo em cada edição do torneio carregam histórias de fracasso, decepção e, em muitos casos, de surpresas que a gente jamais esperava ver. Não importa se é uma potência europeia ou uma seleção estreante no Mundial, a eliminação dói igual para todo mundo, e os torcedores que ficam do outro lado da tela sentem isso na pele.
- As primeiras baixas do torneio
- As histórias mais marcantes de eliminação
- O peso da eliminação para cada país
- Quem tem mais chances de avançar e quem está na corda bamba
- A vida depois da eliminação
- O legado das eliminações no futebol mundial
Cada Copa do Mundo produz suas próprias vítimas. Desde a primeira edição do torneio em 1930, no Uruguai, seleções que pareciam imbatíveis foram mandadas para casa mais cedo do que imaginavam. E não é de hoje que o futebol nos dá essas lições de humildade. A bola é redonda, o campo é longo e um dia ruim pode destruir o sonho de quatro anos em noventa minutos. Eu já perdi a conta de quantas vezes assisti a uma favorita tropeçar e me lembrei que o futebol tem essa genialidade irritante de nunca seguir o roteiro que a gente escreve na cabeça.
AS PRIMEIRAS BAIXAS DO TORNEIO
Haiti deu adeus muito rápido. Uma das seleções com a pior colocação no ranking da Fifa. Com a derrota nos dois primeiros jogos, ela não tem mais chances de avançar na competição. O Brasil venceu o Haiti por 3x0 e decretou sua eliminação, já que o Marrocos também possui 4 pontos, igualando ao Brasil, não teria como terminar em terceiro pelo critério de confronto direto contra a Escócia.
A eliminação da Turquia foi uma grande surpresa, pois possui jogadores de peso como Arda Güler, meia do Real Madrid, e Hakan Çalhanoğlu, jogador da Inter de Milão, e o atacante Kenan Yıldız, que atua pela Juventus. Com a derrota para a Austrália por 2x0 e por 1x0 para o Paraguai, não tem mais chances de avançar na tabela.
A Tunísia também foi eliminada. Perdeu para a Suécia por 5 a 1, o treinador foi demitido logo na estréia da copa, depois foi goleada novamente pelo Japão por 4 a 0, acabando de vez as chances de uma vaga na fase 16 avos de final (fase mata-mata).
As seleções menores, as que chegam pela primeira vez ou que dependem de um milagre estatístico para avançar, geralmente são as primeiras a caírem. Mas nem sempre. Já vimos gigantes do futebol mundial serem eliminados na fase de grupos de maneiras que deixaram a boca aberta. A Itália em 2010, na África do Sul, foi mandada para casa na fase de grupos. A Alemanha em 2018, na Rússia, fez o mesmo. A Espanha em 2002 passou por uma situação muito contestada. O futebol não respeita currículo.
O drama começa já nas primeiras rodadas, quando um tropeço pode colocar uma seleção de costas para a parede antes mesmo de o torneio engrenar de verdade. Equipes que perdem o primeiro jogo entram numa pressão psicológica absurda, e nem todos os jogadores são capazes de lidar com isso dentro de campo. A diferença entre avançar e ir para casa, muitas vezes, está na cabeça, não nos pés.
O QUE LEVA UMA SELEÇÃO À ELIMINAÇÃO PRECOCE
Me parece que a maioria dos analistas erra feio quando tenta explicar eliminações precoces usando só estatísticas. Posse de bola, chutes a gol, passes completados, xG, tudo isso ajuda a contar a história, mas o futebol tem variáveis que nenhuma planilha captura. Um titular se machuca no aquecimento. Um jogador-chave entra em campo com 60% da condição física por causa de uma lesão que ninguém noticiou. O técnico escolhe um sistema tático que não funciona contra aquele adversário específico. São esses detalhes pequenos que decidem quem vai embora.
A preparação é outro fator que a gente subestima muito. Seleções que chegam à Copa do Mundo com conflitos internos, com divisões entre jogadores e comissão técnica, ou com um processo de classificação traumatizante, raramente conseguem produzir futebol de alto nível na hora que mais precisa. Já vimos isso acontecer inúmeras vezes: seleções talentosas que implodiam por dentro e saíam da Copa sem ao menos mostrar metade do que eram capazes. O vestiário precisa estar unido, e quando não está, o campo expõe tudo.
A parte tática também não pode ser ignorada. Copa do Mundo é um torneio de altíssimo nível, e qualquer equipe que não evolui taticamente entre edições do torneio vai sofrer. O futebol muda rápido, os sistemas evoluem, as pressões são mais intensas, os blocos defensivos ficam mais organizados. Uma seleção que joga o mesmo futebol de quatro anos atrás, sem adaptação, sem renovação, fica para trás.
AS HISTÓRIAS MAIS MARCANTES DE ELIMINAÇÃO
Se você pedisse para eu listar as eliminações mais chocantes da história das Copas, eu teria material para uma série inteira de artigos. Mas algumas ficam gravadas na memória do futebol mundial de um jeito que o tempo não apaga. A Alemanha em 2018 foi embora na fase de grupos sendo a campeã defensora do título, numa campanha tão ruim que o país ficou em choque. A Itália, tetracampeã mundial, ficou fora da Copa de 2018 completamente, nem conseguiu se classificar. Isso sim é um colapso que vai para os livros de história.
O Brasil também não está imune. O Maracanazo em 1950, quando o Uruguai virou o placar no Maracanã e tirou o título das mãos da seleção brasileira, continua sendo a eliminação mais dolorosa da história do futebol brasileiro. E o 7 a 1 para a Alemanha em 2014, em pleno Mineirão, durante uma Copa que o Brasil sediava, foi uma ferida que muitos torcedores ainda não curaram completamente. Eu sei que parece exagero para quem não viveu aquele momento no Brasil, mas a tristeza daquele dia foi genuína e profunda.
As seleções africanas e asiáticas também protagonizaram eliminações surpreendentes, mas em ambos os sentidos. Marrocos em 2022 no Catar foi uma das histórias mais bonitas do futebol recente: chegou às semifinais e mostrou para o mundo que o futebol africano tem qualidade para competir de igual para igual com qualquer potência europeia. E quando equipes assim são eliminadas, a dor é multiplicada porque a torcida neutra também sente.
O PESO DA ELIMINAÇÃO PARA CADA PAÍS
Uma coisa que o futebol televisivo às vezes não mostra com profundidade suficiente é o impacto real que uma eliminação de Copa do Mundo tem sobre um país. Para nações menores, chegar a uma Copa do Mundo já é o sonho realizado. Para essas seleções, ser eliminado na fase de grupos ainda representa uma conquista histórica, algo para contar aos netos. Mas para as grandes potências, o peso é infinitamente maior.
Na Argentina, por exemplo, sair cedo em uma Copa pode desestabilizar presidentes de federação, técnicos são demitidos horas depois do apito final, e jogadores viraram alvo de críticas severas da imprensa e dos torcedores por meses. Na Itália, na Alemanha, na França, o mesmo tipo de cobrança aparece. Nesses países, Copa do Mundo é assunto de estado, não só de futebol. O nível de expectativa sobre a seleção nacional é tão alto que qualquer resultado abaixo do esperado vira catástrofe nacional.
No Brasil não é diferente. A seleção brasileira carrega o peso de cinco títulos mundiais e de uma torcida que tem a exigência do hexa como meta permanente. Cada eliminação aqui gera um ciclo completo de análise, reconstrução e cobrança que começa no dia seguinte e vai até a próxima Copa. Treinadores são responsabilizados, jogadores são questionados, e a CBF, inevitavelmente, entra na berlinda.
QUEM TEM MAIS CHANCES DE AVANÇAR E QUEM ESTÁ NA CORDA BAMBA
Olhando para o panorama atual do futebol mundial, algumas seleções chegam a qualquer Copa do Mundo com credenciais sólidas para ir longe. França, Espanha, Inglaterra, Brasil e Argentina formam o grupo que raramente surpreende negativamente, embora a história mostre que surpresas sempre acontecem. Alemanha e Portugal também carregam tradição e qualidade para brigar até o fim.
Por outro lado, há sempre um grupo de seleções que chegam ao torneio com esperanças, mas que vivem em equilíbrio instável. Uma derrota no primeiro jogo pode colocar tudo a perder. Equipes da Ásia, da África e de confederações menores frequentemente dependem de um desempenho perfeito nos três jogos da fase de grupos para avançar, e qualquer deslize técnico ou tático pode ser fatal. O nível de homogeneidade do futebol mundial cresceu muito nas últimas décadas, o que significa que as diferenças entre seleções diminuíram, e as surpresas se multiplicaram.
Me parece que o futebol moderno tornou as Copas muito mais imprevisíveis do que eram há trinta anos. Antes, você conseguia projetar com razoável segurança quais oito seleções chegariam às quartas de final. Hoje, essa tarefa virou uma loteria sofisticada. O nivelamento técnico, a globalização dos campeonatos nacionais, os jogadores africanos e asiáticos atuando nas melhores ligas europeias desde cedo, tudo isso contribuiu para que cada Copa seja uma caixinha de surpresas.
A VIDA DEPOIS DA ELIMINAÇÃO
Quando o apito final soa e uma seleção é eliminada, começa uma fase que o torcedor casual raramente acompanha com atenção, mas que é determinante para o futuro: a reconstrução. As federações precisam decidir se mantêm o técnico, se renovam o elenco, que lições tirar daquele torneio. É um processo doloroso e lento que começa no vestiário, com jogadores cabisbaixos, e se estende por meses nas discussões técnicas.
Algumas seleções usam eliminações precoces como catalisador de transformação. A Espanha foi eliminada na fase de grupos em 1998 e 2002, mas construiu nos anos seguintes a geração que ganhou Euro 2008, Copa do Mundo 2010 e Euro 2012. A Alemanha saiu nas semifinais em 2006 e foi construindo um projeto que resultou no título em 2014. As eliminações doeram na época, mas forçaram mudanças necessárias que levaram ao sucesso.
Eu sinceramente acredito que as federações que encaram a eliminação como ponto de partida para uma reformulação honesta são as que mais evoluem. As que ficam defendendo o trabalho mal feito, protegendo técnicos e jogadores que não estavam no nível necessário, essas ficam presas num ciclo de mediocridade que pode durar décadas. O futebol não perdoa quem não aprende com os erros, e as Copas do Mundo são o maior espelho que uma seleção pode ter diante de si.
O LEGADO DAS ELIMINAÇÕES NO FUTEBOL MUNDIAL
Cada seleção eliminada deixa algo para a história do torneio. Às vezes deixa um gol impossível marcado por um jogador desconhecido que ninguém mais esquece. Às vezes deixa uma polêmica arbitral que é discutida por décadas. Às vezes simplesmente confirma uma superioridade técnica que já era esperada. Mas todas elas fazem parte do tecido do que a Copa do Mundo é: o maior espetáculo esportivo do planeta, com toda a glória e toda a crueldade que esse posto exige.
As seleções eliminadas da Copa do Mundo não são só fracassos. São também histórias de países inteiros que sonharam, que se classificaram, que viajaram para representar milhões de pessoas, e que por um momento estiveram no centro do mundo. Isso tem valor. Não é consolo barato, é reconhecimento de que chegar a uma Copa do Mundo já é uma conquista que poucos países do mundo conseguem. O problema, claro, é que no futebol, especialmente no Brasil, a régua raramente está calibrada para aceitar menos do que a taça.
No fim das contas, cada Copa tem seus heróis e seus eliminados, e a história do torneio é construída por ambos. Quem fica para casa mais cedo acrescenta o tempero da imprevisibilidade que faz do Mundial o torneio mais assistido do mundo. E quem avança, vai carregando nas costas a pressão de uma nação, sabendo que a próxima eliminação pode estar a noventa minutos de distância.
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