Papo de BolaPAPO DE BOLA
Copa do Mundo

Quantas Seleções se Classificam para o Mata-Mata da Copa do Mundo?

23 de junho de 2026 às 10:11ivan5 min de leitura

O mata-mata da Copa do Mundo sempre foi aquele momento em que o torneio muda completamente de cara. A pressão aumenta, o nervosismo toma conta dos vestiários e qualquer vacilo pode significar o fim de quatro anos de preparação. Mas antes de chegar a essa fase eletrizante, é preciso sobreviver à fase de grupos, e saber exatamente quantas seleções se classificam para o mata-mata da Copa do Mundo é essencial para entender como a competição funciona, especialmente agora que o formato mudou radicalmente para a edição de 2026.

O NOVO FORMATO DA COPA DO MUNDO 2026

Quem acompanhou as edições anteriores sabe que a Copa do Mundo funcionou por décadas com 32 seleções divididas em oito grupos de quatro times. As duas melhores de cada grupo avançavam, totalizando 16 equipes na fase eliminatória. Esse modelo era limpo, direto e já estava bem enraizado na memória de qualquer torcedor. Porém, a FIFA decidiu expandir o torneio para 48 seleções a partir de 2026, quando Estados Unidos, Canadá e México sediarão o evento. Essa é uma mudança que, convenhamos, divide opiniões até hoje no mundo do futebol.

No novo formato, as 48 seleções serão distribuídas em 12 grupos de quatro equipes cada. Dentro de cada grupo, as duas primeiras colocadas avançam diretamente para a fase de mata-mata. Mas tem um detalhe que complica um pouco a coisa: os oito melhores terceiros colocados de todos os grupos também se classificam. Isso significa que um time pode terminar em terceiro lugar no grupo e ainda assim seguir na competição. No total, 32 seleções chegam ao mata-mata da Copa do Mundo, exatamente o mesmo número de participantes que disputavam o torneio inteiro nas edições de 1998 a 2022.

Essa mudança traz um componente interessante do ponto de vista matemático e estratégico. Com 12 grupos e oito terceiros colocados avançando, as equipes precisam fazer contas durante a fase classificatória. Um empate que seria confortável num modelo antigo pode ser insuficiente no novo formato, dependendo de como estão os outros grupos. Me parece que isso vai gerar um nível de ansiedade e de acompanhamento simultâneo de resultados que nunca vimos antes numa Copa. Os torcedores vão precisar de calculadora na mão o tempo todo nas últimas rodadas.

A LÓGICA POR TRÁS DA CLASSIFICAÇÃO DOS TERCEIROS

Para definir quais oito terceiros colocados avançam, a FIFA utiliza critérios objetivos. Primeiro, pontuação. Depois, saldo de gols. Em seguida, gols marcados. Se ainda houver empate, entra fair play e, em último caso, sorteio. Esse sistema de desempate entre os terceiros colocados de grupos diferentes não é novidade, a Copa de 1994, por exemplo, quando o torneio tinha 24 equipes divididas em seis grupos, já usava algo parecido para definir os quatro melhores terceiros. O Brasil de Romário e Bebeto passou por esse funil e foi campeão. Ninguém reclamou do formato naquela época.

O problema, e eu preciso ser honesto aqui, é que com 48 seleções o nível técnico médio dos grupos vai cair de forma perceptível. Hoje já existem grupos em que uma ou duas seleções claramente não têm capacidade de competir de igual para igual com as potências do futebol mundial. Imagine esse cenário ampliado para 12 grupos. O risco de partidas sem nenhum valor técnico, com seleções menores sendo goleadas por 6, 7 a 0 nas primeiras rodadas, é muito real. A FIFA sabe disso e aceita porque o interesse comercial e a inclusão de mais mercados consumidores pesam mais na balança do que a qualidade média das partidas da fase de grupos.

Dito isso, há um lado positivo que não dá para ignorar. Mais seleções participando significa que países da África, Ásia, Concacaf e Oceania terão mais vagas. Isso democratiza o acesso ao torneio mais importante do planeta e dá a milhões de pessoas ao redor do mundo a chance de ver seu país numa Copa pela primeira vez. O futebol como ferramenta de identidade nacional é algo que vai muito além das quatro linhas, e ampliar a participação tem um valor que vai além do que qualquer análise tática consegue capturar. Mas isso não impede a crítica ao formato, que é legítima e necessária.

COMO ERA ANTES E O QUE MUDOU

classificacao-oitavas-de-final-copa-do-mundo-2026

Para entender o salto, é útil olhar para trás. A Copa do Mundo nasceu em 1930 com apenas 13 seleções. Foi crescendo aos poucos: 16 equipes de 1934 até 1978, 24 de 1982 a 1994, e 32 de 1998 até 2022. Cada expansão gerou ceticismo e debates, mas o torneio sobreviveu e cresceu em popularidade a cada edição. A expansão para 48 seleções representa o maior salto numérico de uma só vez na história da competição, um aumento de 50% no número de participantes. É muito. Qualquer pessoa que pense minimamente em gestão esportiva entende que isso exige uma logística monumental.

Nas Copas de 32 seleções, a fase de grupos tinha 48 partidas. Com 48 seleções em 12 grupos de quatro equipes, serão 72 jogos só na fase de grupos, ou seja, 24 partidas a mais. O mata-mata que antes começava com 16 seleções agora começa com 32, o que acrescenta uma rodada inteira ao torneio. No total, a Copa de 2026 terá 104 jogos, contra os 64 das edições de 32 seleções. Para colocar isso em perspectiva: a Copa de 1998, quando o torneio foi expandido para 32 times, tinha exatamente 64 partidas. Agora vamos quase dobrar esse número. O impacto na agenda dos calendários das ligas nacionais vai ser enorme e provavelmente vai gerar brigas entre FIFA e clubes por anos.

AS SELEÇÕES FAVORITAS E O CAMINHO ATÉ O TITULO

Com 32 seleções no mata-mata, o caminho até o título ficou mais longo. Uma equipe que terminar em primeiro no grupo vai precisar de sete vitórias para ser campeã: três na fase de grupos mais quatro no mata-mata. Quem passar como melhor terceiro pode precisar de um esforço ainda maior dependendo das chaves. As potências tradicionais como Brasil, Argentina, França, Alemanha e Espanha continuam sendo as favoritas naturais, mas o caminho ficou mais acidentado. Mais rodadas no mata-mata significam mais oportunidades para azarões causarem surpresas, e a Copa do Mundo é historicamente um torneio que adore uma virada inesperada.

A Argentina de Messi encerrou um jejum de 36 anos ao vencer a Copa de 2022 no Catar, num torneio que entregou uma das finais mais dramáticas da história. O Brasil, por sua vez, segue em busca do hexacampeonato desde 2002, e o torcedor brasileiro já está com os olhos voltados para 2026, quando jogaremos praticamente em casa, no continente americano. Com o novo formato e 32 seleções no mata-mata, as chances de um azarão profundo chegar até as quartas de final ou mesmo às semifinais aumentam consideravelmente. Isso pode ser emocionante para o espetáculo, mas é angustiante para quem torce para um dos favoritos.

Eu sinceramente acredito que o Brasil de 2026 precisa de um time que saiba lidar com pressão de maneira muito mais consistente do que vimos nas últimas edições. A Copa de 2014, no próprio país, com aquele 7 a 1 contra a Alemanha, ainda dói. A de 2022 terminou nos pênaltis contra a Croácia, numa noite em que Neymar parecia finalmente estar vivendo o melhor momento, até o gol de Marquinhos balançar a rede pela Croácia. Com mais rodadas no mata-mata, os erros somam mais. A margem para tropeços diminui, paradoxalmente, mesmo com mais jogos na fase eliminatória.

O IMPACTO DO NOVO FORMATO PARA AS SELEÇÕES MENORES

Para as seleções de menor tradição, o novo formato é uma benção. Ter três jogos garantidos na fase de grupos já é muito. Equipes da Oceania, por exemplo, raramente aparecem numa Copa do Mundo. Com a expansão, a Nova Zelândia, Fiji ou Papua Nova Guiné podem estar presentes em 2026, enfrentando gigantes do futebol. Isso expõe esses países ao nível mais alto da competição, inspira gerações de jovens e pode, num prazo mais longo, melhorar o desenvolvimento do futebol nessas regiões. O argumento é válido e quem gosta de futebol como cultura global tende a se animar com isso.

Ainda assim, há uma diferença enorme entre participar e competir de verdade. Entrar numa Copa é uma coisa. Chegar ao mata-mata da Copa do Mundo é outra completamente diferente. Com a regra dos oito melhores terceiros colocados, existe uma chance real de uma seleção menor surpreender na fase de grupos e acabar entre os oito melhores terceiros. Depende do sorteio, dos adversários, da sorte e de um ou dois jogadores acima da média. O futebol já nos ensinou que isso acontece. A Islândia em 2018, a Coreia do Norte em 1966, o Camarões em 1990. A história está cheia de seleções pequenas que fizeram grandes Copas.

PROJEÇÕES E O QUE ESPERAR EM 2026

A Copa do Mundo de 2026 vai ser um experimento em tempo real. Ninguém sabe exatamente como vai funcionar um torneio com 48 seleções, 12 grupos e 104 jogos espalhados por três países diferentes. A logística de viagem entre cidades nos EUA, México e Canadá já é um desafio por si só. Torcedores que quiserem acompanhar mais de um jogo por dia vão precisar de uma agenda bem organizada e um bolso fundo. Os preços dos ingressos numa Copa nos Estados Unidos prometem ser estratosféricos, e os custos de acomodação em cidades como Nova York, Los Angeles e Chicago não são pra qualquer um.

Do ponto de vista competitivo, minha expectativa é que as primeiras rodadas da fase de grupos sejam bem irregulares em qualidade. Alguns grupos vão ter pelo menos um jogo de altíssimo nível, enquanto outros vão ter partidas que parecem amistosos. Mas à medida que o torneio avança e as seleções mais fortes se consolidam no mata-mata, a tendência é que a qualidade técnica aumente. As oitavas de final com 32 times podem ter algumas surpresas, mas as quartas e semifinais provavelmente vão reunir as potências de sempre. O futebol no nível mais alto ainda é um clube seleto, e os melhores times do mundo raramente deixam de aparecer nas fases decisivas de uma Copa.

No fim das contas, o que importa para o torcedor brasileiro é simples: o Brasil precisa chegar ao mata-mata da Copa do Mundo em 2026 entre as primeiras do grupo, sem depender de cálculos de terceiro colocado, e entrar na fase eliminatória com moral alta e um jogo consistente. Ganhar o hexacampeonato em 2026, no continente americano, seria um dos momentos mais memoráveis do futebol brasileiro em décadas. E com o novo formato oferecendo mais jogos e mais caminhos até a final, a torcida vai ter muita coisa para torcer, para sofrer e, quem sabe, para comemorar.

Leia tambem:

Compartilhar

Leia Também