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OFERECIMENTO
 
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GOLEIROS (Ricardo Brandau)
Mais um colunista da Academia Esportiva
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19 de Julho de 2010
Casillas, o goleiro da Copa
Se Paul, o polvo, fosse escalado para escolher o melhor goleiro da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, ele certamente entraria na caixa de acrílico com a foto de Iker Casillas. O goleirão do Real Madrid começou o torneio com a desconfiança da mídia por causa da suposta falha no gol com o qual a Suíça derrotou a Espanha. Apesar de o lance ter sido confuso - e, se Casillas errou, a responsabilidade teria de ser dividida com a defesa -, logo surgiram especulações de que a presença atrás da meta da namorada, a repórter Sara Carbonero, o teria distraído.
Pura bobagem, mas o assunto acabou repercutindo e Casillas teve que se redobrar para “provar” que estava focado na competição. E as atuações sóbrias mostraram que os espanhóis poderiam ficar sossegados. Se nos jogos até as semifinais ele teve pouco trabalho, contra o Paraguai foi fundamental para a vitória da Espanha ao defender o pênalti cobrado por Cardozo. Mais ainda na final contra a Holanda, ao deter Robben nas duas ocasiões em que o atacante entrava sozinho para fazer o gol.
As lágrimas, ainda antes do jogo terminar, foram prova da emoção de Casillas pela conquista do título inédito da Espanha. E coube a ele, como capitão, a honra de levantar a taça, complementado por um beijo na boca da namorada, transmitido ao vivo.
Dos três goleiros presentes ao Mundial entre os cinco melhores do mundo, Casillas superou de longe Júlio César e Buffon na África do Sul. O brasileiro fazia uma Copa correta, mas a falha no primeiro na derrota por 2 a 1 contra a Holanda acabou por comprometê-lo. O italiano, por seu lado, jogou apenas 45 minutos na estreia contra o Paraguai, sentiu dores nas costas, e ficou afastado do restante do torneio. Pelo menos escapou de participar do vexame da Itália.
Outros goleiros também tiveram bons momentos, mas cometeram falhas que comprometeram a avaliação. O holandês Stekelenburg fazia uma Copa muito boa, sendo fundamental na vitória contra o Brasil ao fazer uma defesa espetacular num chute de Kaká, quando a Seleção Brasileira vencia o jogo por 1 a 0. Mas falhou nos gols sofridos contra o Paraguai, especialmente o primeiro. Já Muslera, do Uruguai, foi herói na vitória sobre Gana ao defender duas cobranças na decisão por pênaltis, mas teve uma atuação desastrosa na decisão do terceiro lugar contra a Alemanha, falhando feio em dois dos três gols sofridos. Houve ainda Eneyama, da Nigéria, que fez cinco grandes defesas contra a Argentina, ou melhor, contra Messi. Mas no jogo seguinte, contra a Grécia, foi mal.
Fazendo um balanço, há de se reconhecer que a Jabulani maltratou os goleiros, mas não impediu que houvesse belas defesas, realçadas pelo “super slow motion”.
Milagre da Copa
Embora Casillas tenha sido decisivo, a defesa mais impressionante na África do Sul foi feita pelo hondurenho Valladares, na estréia contra o Chile. Ele pegou uma cabeçada de Alexis Sanchez à queima-roupa. Banks, Maier e outros grandes goleiros certamente bateriam palmas...
Frango da Copa
Foram vários, mas o “prêmio” vai para o inglês Green, pela falha clamorosa no gol do norte-americano Dempsey. Um frango com todas as letras maiúsculas.
***
Fugindo do seu escopo, que são os goleiros, a coluna entende que, apesar do bom futebol de Forlán, o melhor jogador da Copa do Mundo foi Iniesta, o ponto de equilíbrio na seleção espanhola.
O COLUNISTA: Ricardo Brandau é jornalista e meio historiador (abandonou o curso na metade). Torcedor do Santos, acompanha futebol todos os dias (literalmente) desde a Copa de 70. Foi editor de esportes dos jornais A Notícia e Diário da Região, ambos de São José do Rio Preto. Atualmente é editor executivo da Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular.
E-MAIL: brandau@braile.com.br
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